A Morte de Tapir
Olavo Bilac (?–1918)
O começo — I
Uma coluna de ouro e púrpuras ondeantes / Subia o firmamento. Acesos véus, radiantes / Rubras nuvens, do sol à viva luz, do poente / Vinham, soltas, correr o espaço resplendente. / Foi a essa hora, - às mãos o arco possante, à cinta / Do leve enduape a tanga em várias cores tinta, / A aiucara ao pescoço, o canitar à testa, - / - Que Tapir penetrou o seio da floresta. / Era de vê-lo assim, com o vulto enorme ao peso / Dos anos acurvado, o olhar faiscando aceso, / Firme o passo apesar da extrema idade, e forte. / Ninguém, como ele, em face, altivo e hercúleo, a morte / Tantas vezes fitou… Ninguém, como ele, o braço / Erguendo, a lança aguda atirava no espaço. / Quanta vez, do uapi ao rouco…
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