Livros › Olavo Bilac › Noturno (Olavo Bilac)

Capa de Noturno (Olavo Bilac)

Noturno (Olavo Bilac)

Olavo Bilac (?–1918)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Já toda a terra adormece. / Sai um soluço da flor. / Rompe de tudo um rumor, / Leve como o de uma prece.

A tarde cai. Misterioso, / Geme entre os ramos e o vento, / E há por todo o firmamento / Um anseio doloroso.

Áureo turíbulo imenso, / O ocaso em púrpuras arde, / E para a oração da tarde / Desfaz-se em rolos de incenso.

Moribundos e suaves, / O vento na asa conduz / O último raio da luz / E o último canto das aves.

E Deus, na altura infinita, / Abre a mão profunda e calma, / Em cuja profunda palma / Todo o Universo palpita.

Mas um barulho se eleva… / E, no páramo celeste, / A horda dos astros investe / Contra a muralha da treva.

As estrelas, salmodiando / O Peã sacro, a voar, / Enchem de cânticos o ar… / E vão passando… passando…

Agora, maior tristeza, / Silêncio agora mais fundo; / Dorme, num sono profundo, / Sem sonhos, a natureza.

A flor-da-noite abre o cálix… / E, soltos, os pirilampos / Cobrem a face dos campos, / Enchem o seio dos vales:

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Olavo Bilac