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O Caçador de Esmeraldas

Olavo Bilac (?–1918)

PoesiaHistória10 min de leitura9 páginas

O começo — I

Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada / Do outono, quando a terra, em sede requeimada, / Bebera longamente as águas da estação, / - Que, em bandeira, buscando esmeraldas e prata, / À frente dos peões filhos da rude mata, / Fernão Dias Pais Leme entrou pelo sertão.

Ah! quem te vira assim, no alvorecer da vida, / Bruta Pátria, no berço, entre as selvas dormida, / No virginal pudor das primitivas eras, / Quando, aos beijos do sol, mal compreendendo o anseio / Do mundo por nascer que trazias no seio, / Reboavas ao tropel dos índios e das feras!

Já lá fora, da ourela azul das enseadas, / Das angras verdes, onde as águas repousadas / Vêm, borbulhando, à flor dos cachopos cantar; / Das abras e da foz dos tumultuosos rios, / Tomadas de pavor, dando contra os baixios, / As pirogas dos teus fugiam pelo mar…

De longe, ao duro vento opondo as largas velas, / Bailando ao furacão, vinham as caravelas, / Entre os uivos do mar e o silêncio dos astros; / E tu, do litoral, de rojo nas areias, / Vias o Oceano arfar, vias as ondas cheias / De uma palpitação de proas e de mastros.

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