Um Trecho de Th. Gautier
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
É porque eu sou assim que o mundo me repele, / E é por isso também que eu nada quero dele / Minh'alma é uma região ridente e esplendorosa, / Na aparência; porém pútrida e pantanosa, / Cheia de emanações mefíticas, repleta / De imundos vibriões, como a região infecta / Da Batávia, de um ar pestífero e nocivo. / Olha a vegetação: tulipas de ouro vivo, / Fulvos nagassaris de ampla coroa, flores / De angsoka, pompeando a opulência das cores, / Viçam; viçam rosais de púrpura, sorrindo / Sob o límpido azul de um céu sereno e infindo… / Mas a flórea cortina entreabre, e vê: - no fundo, / Sobre os trôpegos pés movendo o corpo imundo, / Vai de rastos um sapo hidrópico e nojento…
Olha esta fonte agora: o claro firmamento / Traz no puro cristal, puro como um diamante. / Viajor! de longe vens, ardendo em sede? Adiante! / Segue! Fora melhor, ao cabo da jornada, / De um pântano beber a água que, estagnada / Entre os podres juncais, em meio da floresta / Dorme… Fora melhor beber dessa água! Nesta / Se acaso a incauta mão mergulha um dia a gente, / Ao sentir-lhe a frescura ao mesmo tempo sente / As picadas mortais das peçonhentas cobras, / Que coleiam, torcendo e destorcendo as dobras / Da escama, e da atra boca expelindo o veneno…
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