Satânia
Olavo Bilac (?–1918)
O começo
Nua, de pé, solto o cabelo às costas, / Sorri. Na alcova perfumada e quente, / Pela janela, como um rio enorme / De áureas ondas tranqüilas e impalpáveis, / Profusamente a luz do meio-dia / Entra e se espalha palpitante e viva. / Entra, parte-se em feixes rutilantes, / Aviva as cores das tapeçarias, / Doura os espelhos e os cristais inflama. / Depois, tremendo, como a arfar, desliza / Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve, / Como uma vaga preguiçosa e lenta, / Vem lhe beijar a pequenina ponta / Do pequenino pé macio e branco.
Sobe… cinge-lhe a perna longamente; / Sobe… - e que volta sensual descreve / Para abranger todo o quadril! - prossegue. / Lambe-lhe o ventre, abraça-lhe a cintura, / Morde-lhe os bicos túmidos dos seios, / Corre-lhe a espádua, espia-lhe o recôncavo / Da axila, acende-lhe o coral da boca, / E antes de se ir perder na escura noite, / Na densa noite dos cabelos negros, / Pára confusa, a palpitar, diante / Da luz mais bela dos seus grandes olhos.
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