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Profissão de Fé

Olavo Bilac (?–1918)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

Não quero o Zeus Capitolino / Hercúleo e belo, / Talhar no mármore divino / Com o camartelo.

Que outro - não eu! - a pedra corte / Para, brutal, / Erguer de Atene o altivo porte / Descomunal.

Mais que esse vulto extraordinário, / Que assombra a vista, / Seduz-me um leve relicário / De fino artista.

Invejo o ourives quando escrevo: / Imito o amor / Com que ele, em ouro, o alto relevo / Faz de uma flor.

Imito-o. E, pois, nem de Carrara / A pedra firo: / O alvo cristal, a pedra rara, / O ônix prefiro.

Por isso, corre, por servir-me, / Sobre o papel / A pena, como em prata firme / Corre o cinzel.

Corre; desenha, enfeita a imagem, / A ideia veste: / Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem / Azul-celeste.

Torce, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina, / Dobrada ao jeito / Do ourives, saia da oficina / Sem um defeito:

E que o lavor do verso, acaso, / Por tão subtil, / Possa o lavor lembrar de um vaso / De Becerril.

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