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Auto da Lusitânia

Gil Vicente (1470–1536)

Teatro2 min de leitura2 páginas

O começo

Entra Todo o Mundo , homem rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que se lhe perdeu; e algo após ele um homem, vestido como pobre, este se chama Ninguém , e diz:

Ning. :

Que andas tu aí buscando

T. Mund. :

Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando porfiando. por quão bom é porfiar.

Ning. :

como hás o nome, cavaleiro?

T. Mund. :

Eu hei nome Todo o Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro, e sempre nisto me fundo.

Ning. :

Eu hei Ninguém, e busco a consciência.

Belzebu :

Esta é boa experiência: Dinato, escreve isto bem.

Dinato :

Que escreverei, companheiro?

Belzebu :

Que Ninguém busca consciência, e Todo o Mundo dinheiro.

Ning. :

E agora que buscas lá?

T. Mund. :

Busco honra muito grande.

Ning. :

E eu virtude, que Deus mande que tope com ele já.

Belzebu :

Outra adição nos acude: escreve logo aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca virtude.

Ning. :

Buscas outro mor bem qu'esse?

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