Monólogo do Vaqueiro
Gil Vicente (1470–1536)
O começo — PERSONAGENS DA PRIMEIRA REPRESENTAÇÃO:
Vaqueiro —Ignacío Peixoto. Rainha D. Maria —Delfina Cruz. Rainha D. Beatriz —Maria Pia de Almeida. Duquesa de Bragança —Palmira Torres. El-Rei D. Manuel —Pinto Costa. Damas . Cortesãos . Pagens . Pastor que traz o cordeirinho —Adelina Abranches. Pastores . Prólogo —Augusto de Mello.
+Prólogo+
Prólogo
_Em a noite de 8 de junho de 1502, nesta cidade de Lisbôa, e na própria câmara da rainha, nasceu o teatro nacional. Nessa noite, mestre Gil, um que não tem nem ceitil e faz os aitos a el-rei, representou, em castelhano, o seu «Monólogo do Vaqueiro», ou da «Visitação», que ides ouvir, vertido à letra, em português.
Muito antes de Gil Vicente,—certo é e convém recordá-lo—o povo representava nas igrejas, na largueza dos seus adros ou à sombra das suas naves, os entremeses hieráticos do nascimento e da Paixão de Christo e das vidas dos santos, e cantava os seus vilancicos, bailando suas danças e folias. Mas o «Monólogo do Vaqueiro», naquela noite memorável,—que vamos procurar reconstituir—começou a fixar e a ordenar o elemento dramático tradicional, dando-lhe vida eterna.
Afonso Lopes Vieira (coautor) morreu em 1946; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 2017.