Últimas Conferências e Discursos (1924)
Olavo Bilac (?–1918)
O começo — Machado de Assis
Inauguração de uma placa de bronze, / comemorativa, na casa em que faleceu / o escritor. — 29-9-1912.
“Poucas palavras, poucas e carinhosas, devem ser ditas aqui, para que em tudo a comemoração seja digna do comemorado. Seria uma ofensa à memória do Mestre qualquer manifestação que destoasse da sobriedade encantadora e do recato severo que governaram a sua vida artística e a sua vida intima, a sua teoria literária e o seu estilo. O culto deve ser sempre adequado ao nume: bulhento e borbulhante, para os que tiveram ou têm o amor da adoração pom-posa, — e simples e pensado e mais tecido de ternura e de respeito do que de entusiasmo, para aqueles cuja sublimidade reside mais na solidez do que no bri- lho, mais na verdade do que na aparência, mais na harmonia temperada e justa do que no…
Quando se dirige a certos homens, ainda a mais ardente admiração há de ser calma e raciocinada, se quiser honrar o seu objeto. Machado de Assis temia acima de tudo o barulho e a cintilação das palavras vazias, que tanto agradam aos espíritos fúteis. A sua face triste e suave, o seu modo natural, a brandura da sua palavra e do seu gesto, a modéstia dos seus gostos, a moderação dos seus juízos, a sua filosofia que condenava como crimes as cegueiras da paixão, e o seu estilo que repudiava como vícios os exageros retóricos — tudo nele aconselhava e pedia, não o aplauso frenético, mas a afeição sincera e a consideração inteligente; tudo nele parecia dizer: não me admireis; amai-me, e…
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