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Sagres

Olavo Bilac (?–1918)

Poesia6 min de leitura5 páginas

O começo

de enganos e tentações."

OL. MARTINS. - Hist. de Portugal.

Em Sagres . Ao tufão, que se desencadeia,

A água negra, em cachões, se precipita, a uivar;

Retorcem-se gemendo os zimbros sobre a areia.

E, impassível, opondo ao mar o vulto enorme,

Sob as trevas do céu, pelas trevas do mar,

Berço de um mundo novo, o promontório dorme.

Só, na trágica noite e no sítio medonho,

Inquieto como o mar sentindo o coração,

Mais largo do que o mar sentindo o próprio sonho,

- Só, aferrando os pés sobre um penhasco a pique,

Sorvendo a ventania e espiando a escuridão,

Queda, como um fantasma, o Infante Dom Henrique…

Casto, fugindo o amor, atravessa a existência

Imune de paixões, sem um grito sequer

Na carne adormecida em plena adolescência;

E nunca aproximou da face envelhecida

O nectário da flor, a boca da mulher,

Nada do que perfuma o deserto da vida.

Forte, em Ceuta, ao clamor dos pífanos de guerra,

Entre as mesnadas (quando a matança sem dó

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