
Poesias
Manuel Maria de Barbosa du Bocage
O começo
« £ se o monstro faminto Não dobrar a cerviz no mesmo instante, Mostrarei que me sinto Para' a vingança com valor bastante :
«Farei que saiba o quanto Pôde o fervor de um amoroso affecfo ; Farei, que lave em pranto Âs cans espessas do medonho aspecto.
«O mundo nãa tem visto Obrar Amor prodígios cçnto exento?
Vois veja agora nisto De meus portentos o maior portento. ^ ' 10 OjDBg. .
Disse, e depois que sóa Ténue sussurro, a ordem se executa :
Um deles parte, e voa Do Tempo ã carcomida, horrível gruta :
O velho injusto, e forte. Consumidor das cousas, encostado No regaço da Morte, Fouce na mão cadáveres ao lado.
Vendo entrar de repente O belo infante, o núncio de Cupido, Alça a rugosa frente. Em tom lhe diz suberbo, e desabrido :
« Infeliz ! Que arrogância, Que imprudência, que fado ou que desdita Te guia à negra estância. Aonde o Tempo com a Morte habita?
a Não pasmas, não tens susto De olhar*me ? De me ouYÚr ? Poi» eu te ensino ff Com meu braço robusto A acatar-me, a temer-^me, audaz menino. »
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