
Poesias
Manuel Maria de Barbosa du Bocage
O começo
Um virtuoso amor DUDCa se apaga : O tiro de outra mio Dão faz emprego Aonde a tua abriu tão doce chaga.
Sempre no mais cruel desasocègo» Sempre comigo nesmo em viva guerra. Às vastas ondas outra vez me entrego.
Os negros furacões Eólo encerra. Até que aos frouxos olhos se me oflTrece O bruto Adamastor, filho da Terra.
Vé-me o monstro, que ainda não se esquece Da nossa antiga audácia, e logo exclama Com voz horrível,' que trovão parece :
«Oh tu, que de uma van, caduca fama, De uma ilustre quimera ambicioso, A estrada vens saber do affouto Gama ; Tu, dos servos de Amor o mais ditoso Se as desordens fatais da louca idade Te houvesse reprimido o céu piedoso; Tu, que de uma terrestre divindade Memorando os encantos, e os agrados. Deliras entre as garras da saudade; O modelo serás dos desgraçados! Porque mais, oh mortal, a ver não tornas Meigos olhos, por Vénus invejados.
As correntes de lagrimas, que entornas. Os suspiros, que exhalas de continuo» A singular paixão, de que te adornas, Nada revoga as ordens do Destino : Que eu de opaca procela estenda o manto Quer e ao fatal decreto o fronte inclino ; 10 miSTOLAS.
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