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Poesias

Manuel Maria de Barbosa du Bocage

Poesia4 h 20 de leitura225 páginas

O começo

Foram meses inteiros de purgatório, esperando em cada dia não ver raiar a aurora do seguinte ! Desse tempo è um rectrato, em que, figura, conforme a enfermidade o tmha prostrado.

Gomo aquelas faces lividas e macilentas, encovando-se, pintam a angustia; como aquela boca, sumindo nos lábios contrahidos o corte da aguda dõr, exprime o esforço da alma sobre o corpo; como os cabelos desalinhados, longos e pendentes sobre a pálida e rasgada fronte, aberta ao gênio, semelham um véu fúnebre em jaspe sepulcral !

Nos olhos azuis, grandes, e cheios de luz ainda, reina e domina a inteligência audaz. Âii ao menos vive sempre o ardente Elmano. Mesmo frouxos e quebrados aparece Bocage neles I Sente-se, que o fogo da inspiração, se acudir à mente; e que o espirito rompendo o& laços da agonia, se receber o estro; hão de reanimar o corpo, e este surgir com a chama divina : percebe-se que as feições abatidas volverão à radiosa expressão; e que o entusiasmo exaltará G rosto. Âdivinham-se os relâmpagos que pôde lançar a vista, aformoseando o semblante, eín que a morte pôs o selo, e fingindo momentaneamente a existência florescente, que o infeliz deixava longe.

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