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À Ilha de Maré

Manuel Botelho de Oliveira (?–1711)

Poesia8 min de leitura7 páginas

O começo

Jaz oblíqua forma e prolongada / a terra de Maré toda cercada / de Netuno, que tendo o amor constante, / lhe dá muitos abraços por amante, / e botando-lhe os braços dentro dela / a pretende gozar, por ser mui bela. / Nesta assistência tanto a senhoreia, / e tanto a galanteia, / que, do mar, de Maré tem o apelido, / como quem preza o amor de seu querido: / e por gosto das prendas amorosas / fica maré de rosas, / e vivendo nas ânsias sucessivas, / são do amor marés vivas; / e se nas mortas menos a conhece, / maré de saudades lhe parece. / Vista por fora é pouco apetecida, / porque aos olhos por feia é parecida; / porém dentro habitada / é muito bela, muito desejada, / é como a concha tosca e…

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