Alegre o Dia em Pompas Festejadas
Manuel Botelho de Oliveira (?–1711)
O começo
A Luís de Sousa Freire / entrando de capitão de infantaria / nesta praça no tempo em que era / governador do Estado do Brasil / Alexandre de Sousa Freire
I Alegre o dia em pompas festejadas / Nos estrondos das armas repetidos, / Entre aplausos de afetos bem nascidos, / Entre mágoas de invejas malcriadas: / Das militares turbas ordenadas / Feito esquadrão na Praça belicoso, / Brilha Apolo invejoso, / E quer formar por competências belas / Praça de luzes, esquadrão de estrelas.
II Nas várias galas, que a Milícia airosa / Com bom gosto traçou, vestiu com graça, / Entre as cores do adorno a mesma Praça / Parece Primavera belicosa: / De sorte que por glória misteriosa / Flora, e Belona alegremente unidas, / Em armas aplaudidas, / Entre os caprichos da Milícia ornada, / Florida está Belona, Flora armada.
III Sendo triste o valor por iracundo, / E sendo a guerra feia por esquiva, / Quando mortais ações aquele aviva, / Quando esta ostenta a Marte furibundo; / Hoje se veste com primor jucundo / Do que teceu Itália, Holanda, e França / A Militar pujança; / Hoje na pompa, que esta, e aquele encerra, / Fica alegre o valor, formosa a guerra.
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