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Descrição do Inverno

Manuel Botelho de Oliveira (?–1711)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

I Ira-se horrendo, e se orna tenebroso / Renovado na sombra o Inverno esquivo, / Aos afagos do Zéfiro nocivo, / Às carícias de Flora rigoroso: / Com vestido de nuvens impiedoso / Melancólica a fronte carregada, / Por velho desagrada, / E tendo a chuva sempre em seus rigores, / Enfermo está de lânguidos humores.

II Aumenta seu rigor o triste Inverno, / Encarcerando no queixoso Pólo / A luz propícia do gentil Apolo, / E mais que Inverno, fica escuro inferno: / Apolo pois com sentimento externo / Entra na casa atroz do Deus lunado, / Que de luas armado / Dois chuveiros vibrando, arma inclementes / Em minguantes de Lua, de água enchentes.

III Vomita o Bóreas no furor ingrato / O nevado rigor, bem que luzido, / Adornando aos jardins branco vestido, / Despindo dos jardins o verde ornado: / Sendo ao prado nocivo, aos olhos grato, / Da neve esperdiçada o candor frio, / Nos disfarces de impio / Parece a neve em presunção formosa / Emplumado candor, ou lã chuvosa.

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