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Em Tigellópolis

Monteiro Lobato (?–1948)

Direito32 min de leitura28 páginas

O começo

Tigelopolis.

Escrito por Lobato por ocasião da Festa de Tremembé, a comemorar tal como o recebi de suas mãos. Emoldurar por ele. (1906) EM TIGELLOPOLIS

No ultimo sábado de julho um troly complicado patinhava pesadamente na areia espessa do caminho velho, arregalando os olhos aos transeuntes que gramavam no João Guedes.

Parecia menos um troly que uma viatura de ciganos em mudança.

Grandes pacotes de roupa, malas e embrulhos de toda a sorte na rabada, uma chocolateira, uma vassoura, uma recua de chapéus e mil outros apêndices deformavam o veículo prosaicamente.

Completavam o calhambecaço um cocheiro cor de bife crú, dois Teixeira de Freitas, duas bestas ruanas e um doutor para breves tempos. Mas não eram ciganos nem iam para Juquery.

Trotava o troly com destino à vila das tigellinhas onde os seus transportados tinham em mira parodiar por quinze dias na republica com R. grande que vai do Amazonas aos confins do Judas, etc. Três poderes naturalmente se constituíram. O executivo, na pessoa do futuro bacharel Valdomiro, um campeão de luta romana que não usa abotoadura no punho direito para mais facilmente arregaçar as mangas e dizer cheio de orgulho, fixando olhos enamorados nuns pelotes duros que se lhe formam no biceps: muque é isto! Incumbia lhe pô-lo em ação no caso dalguma agressão externa, e, inda mais, precaver a republica contra o parisitismo sobrepticio que é o mal dessas instituições.

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