
A Onda Verde (2ª Edição)
Monteiro Lobato (?–1948)
O começo — A Onda Verde
QUEM viaja pelos sertões do noroeste paulista se vê empolgado pelo espetáculo maravilhoso da preamar do café. A onda verde nasceu humilima em terras fluminenses. Tomou vulto, desbordou para São Paulo e aqui, fraldejando a Mantiqueira, veio morrer, detida pela frialdade do clima, à orilha da Paulicéa.
Mas não parou. Transpoz o baixadão geento e foi espraiar-se em Campinas.
Aí começa mestre Café a perceber que estava em casa. Corredor de mundo, viajante exótico vinda d՚Arabia ou d՚Africa, provára pelo caminho todos os massapés e sondára todos os climas. Franzia o nariz, porém. Veio sorrir ali, ao pisar esse Oasis do Rubidio que é o Oéste paulista, onde arranchou de vez, para sempre, em sua casa.
Repete-se, então, o movimento bandeirante de outrora. Attráe o homem aventureiro, não mais o ouro dissimulado em pepitas no seio da terra, mas o ouro anual das bagas vermelhas que se derriçam em balaios.
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