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A Menina do Narizinho Arrebitado

Monteiro Lobato (?–1948)

InfantojuvenilFantasia31 min de leitura27 páginas

O começo — I

NAQUELA casinha branca, — lá muito longe, mora uma triste velha, de mais de setenta anos. Coitada! Bem no fim da vida que está, e tremula, e catacega, sem um só dente na boca— jururú… Todo o mundo tem dó dela: — Que tristeza viver sozinha no meio do mato…

Pois estão enganados. A velha vive feliz e bem contente da vida, graças a uma netinha órfã de pai e mãe, que lá mora des'que nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jaboticabas – e reinadeira até ali!… Chama-se Lucia, mas ninguém a trata assim. Tem apelido. Yayá? Nenê? Maricota? Nada disso. Seu apelido é "Narizinho Rebitado", – não é preciso dizer porque. Além de Lucia, existe na casa a tia Anastacia, uma excelente negra de estimação, e mais a Excellentissima Senhora Dona Emilia, uma boneca de pano, fabricada pela preta e muito feiosa, a pobre, com seus olhos de retrós preto e as sobrancelhas tão lá em cima que é ver uma cara de bruxa.

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