Livros › Monteiro Lobato › Jeca Tatu

Capa de Jeca Tatu

Jeca Tatu

Monteiro Lobato (?–1948)

Contos17 min de leitura15 páginas

O começo

O balsâmico indianismo de Alencar esboroa-se pelo iconoclasta advento dos Rondons que, ao enves de imaginarem índios num gabinete, com rentiniscencias de Chateaubriand na cabeça e a Iracema aberta sobre os joelhos, mettem-se a palmilhar os sertões de Winchester em punho.

Morreu Pery, incomparável idealização dum homem natural como o sonhava J. J. Rousseau, protótipo de tantas perfeições humanas que, no romance, em concurso com nobilissimos tipos de civilizados, a todos sobreleva em beleza dalma e corpo. Contrapoz-lhe a cruel ethnologia do sertanista hodierno um selvagem real, feio e brutesco, anguloso e desinteressante, tão incapaz, muscularmente, de arrancar uma palmeira, como incapaz, mortalmente, de amar Cecy.

Por felicidade nossa, e de D. Antonio de Mariz, não os viu Alencar, sonhou-os, como Rosseau; do contrario la teríamos o filho de Araré a moquear a linda menina num bom braseiro de pão Brasil, em vez de acompanhá-la em perpetua adoração pelas selvas, como o Ariel bemfazejo do Paquequer.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Monteiro Lobato