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Fabulas de Narizinho

Monteiro Lobato (?–1948)

Infantojuvenil27 min de leitura24 páginas

O começo — A cabra, o cabritinho e o lobo

Cuidado, meu filho! O mundo anda cheio de perigos. Não abras a porta a ninguém antes de pedir a senha.

— E qual é a senha, mamãe?

— A senha é: "Para os quintos o lobo e toda a sua raça".

Decorou o cabritinho aquelas palavras e a cabrita lá se foi, sossegada da vida.

Mas o lobo, que rondava a casa, e ouvira a conversa, sem demora aproximou-se e bateu. E, disfarçando a voz, repetiu a senha.

O cabritinho correu a abrir, mas ao pôr a mão no ferrolho, desconfiou. E pediu:

— Mostre-me a pata branca, faz favor…

Pata branca era coisa que o lobo não tinha e que não pôde mostrar, portanto. E de focinho comprido, desapontadissimo, não teve remédio senão ir-se embora como veio — de papo vazio…

Assim se salvou o cabritinho, porque teve a boa ideia de confiar, desconfiando…

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