
A Triste Canção do Sul (Subsídios para a História do Fado)
Alberto Pimentel (1849–1925)
O começo — I Origens do Fado
Os romanos incluiam Fatum na sua mitologia como sendo a vontade expressa não só por Jupiter, mas também pelos outros deuzes, em relação ao destino dos homens, das cidades e das nações.
Os nossos diccionaristas mencionam esta etimologia, mas interpretam-n’a sob o ponto de vista do monotheismo.
Assim, o Padre Raphael Bluteau, no Vocabulario , diz que, segundo a doutrina de Santo Agostinho e S. Thomaz, Fado é a disposição e providencia divina, que antevê os acontecimentos humanos.
Moraes, encostando-se também aos teólogos, define Fado dizendo: «é a ordenança que se vê em as coisas por divina providencia.»
De modo que a diferença consiste em admitir a vontade de muitos deuzes ou de um só Deus, mas o fato subsiste o mesmo tanto nas religiões polytheistas como nas monotheistas: acredita-se que o destino humano é regulado por uma autoridade sobre-natural e tem de ser cumprido com indeclinavel sujeição.
Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.