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Crônicas de Viagem

Alberto Pimentel (1849–1925)

Crônica e ensaioViagem1 h 30 de leitura80 páginas

O começo — I · Nas Caldas da Rainha

Na quarta feira de manhã, o comboio em que eu vim para as Caldas da Rainha regorgitava de viajantes.

E desde quarta feira não tenho visto senão chegar às Caldas gente, gente, gente!

Os espanhóis vão mandando os seus primeiros contingentes, e daqui a poucos dias chegará o grosso do exercito.

Principia a ouvir-se já esse infatigável chalrar das espanholas, que ao longo da alameda vão agitando a ventarola e… os quadris, passando como um bando de cigarras palreiras, seguidas de grande numero de cigarrinhas não menos garrulas do que as suas mamãs de olhos pretos e os seus papás de patillas .

Muitas caras de Lisboa: pessoas da alta finança… com dispepsia; e da grande roda… com reumatismo.

Algumas pessoas da província, com ar de príncipes que viajam sob incógnito.

Toda esta humanidade, mais ou menos espectaculosa, que passeia no Olympo da alameda, de tridente na mão, desce do alto da sua importância ao raso da fragilidade do barro comum, logo que entra as portas da Copa.

Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.

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