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Entre o Café e o Cognac

Alberto Pimentel (1849–1925)

Crônica e ensaioArteCrítica literária3 h 20 de leitura172 páginas

O começo — Abertura

O autor.

{VII}

Obrigado a dar folhetim original aos domingos no Primeiro de Janeiro , era às sextas feiras, entre o café e o cognac, que eu, reclinado no espaldar da poltrona, procurava assumpto.

Este livro, em que se grupa a maior parte dos folhetins de sete meses, foi pois meditado entre o café e o cognac.

Fica explicado o titulo.

{VIII}

Eu já citei algures estas palavras de Alexandre Dumas pai: «Há sempre nos moveis que vos cercam alguma cousa de vós mesmos». 1

Tão profunda verdade, se carecesse de demonstração, encontral-a-ia no gabinete de Camillo Castello Branco.

É aquele um templo consagrado unicamente à Arte. Ali tem altar a pintura, a arqueologia, a historia natural, e a literatura. Presente-se que se está no gabinete de um grande romancista porque se adivinha a historia de cada quadro, a novela de cada móvel, a epopeia do tinteiro de metal amarelo donde há pouco mais de vinte anos tem nascido para gloria das letras portuguesas cerca de cem livros. Tudo ali fala. Há idillios de saudade suavissima a murmurar ao de cima dos silenciosos companheiros da mocidade; há marcos milliarios que rememoram sucessivas fases da vida do escritor. Os verdadeiros amigos de Camillo são aqueles. Só eles guardam o segredo de intimas comoções, que parecem vibrar ainda…

Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.

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