
As Netas do Padre Eterno Romance Original
Alberto Pimentel (1849–1925)
O começo — I
Desde a primavera até ao inverno de 1873, decorre, na historia da moderna Hespanha, um período de rubra agitação demagogica, em que tanto a abandonada coroa da velha Monarchia de S. Fernando como o recente barrete frígio da Republica flutuam num mar de sangue, golphado do próprio coração desse belo país meridional, e sinistramente iluminado pelos reflexos coruscantes dos incêndios de Alcoy, que eram o facho tristemente glorioso da insurreição cantonal.
Nação essencialmente católica, a Hespanha viu profanados os seus templos, principalmente em Barcelona, onde as mulheres, numa infrene orgia de bacchantes, envergavam as vestes sacerdotaes, entoando cantares obscenos, e derramando por sobre os altares o vinho que trasbordava das taças.
Nas ruas, as alucinações da musa popular, terrivelmente revolucionaria, alternavam-se com 2 as detonações dos fuzilamentos, e aos dithyrambos entoados à beira dos altares correspondiam, fora dos templos, trovas sacrilegas, dissolventes, anarchicas:
Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.