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O Romance da Rainha Mercedes

Alberto Pimentel (1849–1925)

Romance59 min de leitura52 páginas

O começo — I OS REIS

Que secreto mobil determina as evoluções da humanidade através dos tempos? Que misteriosa lei regula os destinos das sociedades no discorrer dos séculos? Eis o grande problema que há duzentos anos preocupa o espirito humano. É a Providencia: diz Bossuet. As nações têm uma natureza comum; a humanidade é obra de si mesma: sustenta Giambattista Vico. É a influencia do clima: propõe Montesquieu. É a fatalidade cega: proclama Voltaire. É Sua Magestade o Acaso: teima Frederico II . É a situação geográfica: aventa, por sua vez, Herder, o filósofo alemão. E todavia o problema ainda não está resolvido, a grande duvida permanece não obstante os incontestáveis progressos da filosofia cada vez mais…

Os acontecimentos sucedem-se numa variedade caprichosa, que parece intencionalmente destinada a desorientar os filósofos da humanidade e da historia.

Ontem os reis eram personalidades sagradas, representavam na terra o poder divino. Desta aliança do céu com o trono nasceu a corôa encimada pela cruz. O montante real estava ao serviço da religião; dizimava, como um vendaval de morte, os exércitos dos que não tinham a mesma crença religiosa. Beijava-se a mão dos reis como ainda hoje se beija a fimbria do vestido de uma santa. Eles eram recebidos, por toda a parte, debaixo do palio, como uma relíquia. Os que os viam, ajoelhavam, como se faz para orar.

Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.

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