Livros › Alberto Pimentel › Noites de Cintra

Capa de Noites de Cintra

Noites de Cintra

Alberto Pimentel (1849–1925)

Romance2 h 30 de leitura128 páginas

O começo

—Leia-se lá o que tu quiseres. Mas olhem vocês, observou o Vasconcellos, que é preciso matar de algum modo as noites de Cintra, que são tão grandes como as de Lamego. Em Cintra só devia haver dia. As noites são frias e úmidas. Vocês o sentirão.

—Queres então ouvir rouxinóis ao meio dia?

—Os rouxinóis são o menos…

—Pois não viemos nós para os ouvir?

—Nós viemos para gozar a liberdade que não temos habitualmente, e a alegria que principia talvez a fugir-nos. Viemos tomar um banho de oxygeneo. Ele é bem mau!

—Que vão vocês a dizer? perguntou da almofada o Gonçallinho.

—Foi o Vasconcellos que fez uma proposta para supprimirmos do nosso programa os rouxinóis.

—Não! nunca! protestou o Gonçallinho. De mais a mais tem vindo a dizer-me o cocheiro que os rouxinóis são aos centos na várzea de Collares.

—Tudo se pode conciliar, sentenciou o Vasconcellos. Ouviremos os rouxinóis e os contos. Mas vamos ao lado pratico do assumpto. Quantos dias se querem vocês demorar?

Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.

Mais de Alberto Pimentel