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O Porto na Berlinda: Memórias d'uma Família Portuense

Alberto Pimentel (1849–1925)

Biografia e memórias43 min de leitura38 páginas

O começo

Foi no Porto que eu n'sci, foi íio Porto que eu aventurei as minhas primeiras tentativas literárias, foi no Porto que eu sofri as primeiras contusões da critica espancadôra.

Naquele tempo a melhor pena de lódão que havia no Porto, pena rija como um cacete, era a de -Urbano Loureiro, a quem sobejavam aptidões descritor para desancar um pimpão de feira, posto que às vezes se limitasse generosamente a troçar, à Porta Férrea da imprensa, os caloiros que iam chegando.

Urbano Loureiro, nos últimos tempos da sua vida, indemnisou-me largamente dos beliscões com que havia mordiscado a minha vaidade de principiante \ Mas, cem furos abaixo do valor literário d'este critico, que levantava a viseira para atacar lealmente, vadiava anonimamente nas encruzilhadas do jornalismo uma canzuada pilharenga, que, faminta de talento, enganava a lazeira esburgando os ossos da ração alheia.

E tão reles era a matilha, que pagava com ingratidão o favor de se lhe dar assumpto para 1 No livro Atravex do passado publiquei algumas cordealissimas cartas de Urbano Loureiro.

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