Poetas do Minho I - João Penha
Alberto Pimentel (1849–1925)
O começo
Mas percebe-se que lhe custe meter ombros a um labor de reconstrução histórica em que a pena seria como um estilete a revolver dolorosamente o coração saudoso do escritor. Eu mesmo, que apenas segui de longe toda essa altivola mocidade acadêmica, ouvindo reproduzida a distancia a sua voz no fonógrafo literário da Folha e de uma boa dezena de poemas, eu que senti rolar até mim a lava candente do vulcão sem assistir às tempestades explosivas da cratera, eu próprio experimento a vaga nostalgia da Coimbra daquele tempo vendo envelhecer em Lisboa, na prosa da burocracia, do foro, do professorado e do parlamento, os poetas que há vinte anos constituíam a ala vitoriosa dos novos comandada por João…
E, mais infelizes ainda, os que hoje não fazem leis, nem minutas, nem agravos, nem compêndios, dormem prematuramente o sono da morte na apotheose serena, sem invejas, mas também sem desilusões, daqueles que, como Gonçalves Crespo, brilharam pelo clarão do seu talento, e passaram como um meteoro fugitivo.
Alberto Pimentel (autor) morreu em 1925; Lei 9.610/98 art. 41 (70 anos a partir de 1º/1 do ano seguinte) ⇒ livre em 1996.