As Proezas de um Namorado Mofino
Leandro Gomes de Barros (?–1918)
O começo
Zé-pitada era um rapaz / Que em tempos idos havia / Amava muito uma moça / O pai dela não queria… / O desastre é um diabo / Que persegue a simpatia.
Vivia o rapaz sofrendo / Grande contrariedade / Chorava ao romper da aurora / Gemia ao virar da tarde / A moça era como um pássaro / Privado da liberdade.
Porque João-mole, o pai dela / era um velho perigoso, / Embora que Zé-pitada / Dizia ser revoltoso, / Adiante o leitor verá / Qual era o mais valoroso.
Marocas vivia triste / Pitada vivia em ânsia, / Ele como rapaz moço / No vigo de sua infância, / Falar depende de fôlego / Porém obrar é sustância.
Disse pitada a Marocas, / Eu preciso lhe falar / Já tenho toda certeza, / Que é necessário a raptar, / À noite espere por mim / Que havemos de contratar.
Disse Marocas a Zezinho: / Papai não é de brincadeira, / Diz Zé-pitada, ora esta! / Você pode ver-me as tripas, / Poré não verá carreira.
Diga a que hora hei de ir, / Eu dou conta do recado / Inda seu pai sendo fogo, / Por mim será apagado, / Eu juro contra minh’alma / Que seu pai corre assombrado.
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