O Cavalo que Defecava Dinheiro
Leandro Gomes de Barros (?–1918)
O começo
Na cidade de Macaé / Antigamente existia / Um duque velho invejoso / Que nada o satisfazia / Desejava possuir / Todo objeto que via.
Esse duque era compadre / De um pobre muito atrasado / Que morava em sua terra / Num rancho todo estragado / Sustentava seus filhinhos / Na vida de alugado.
Se vendo o compadre pobre / Naquela vida privada / Foi trabalhar nos engenhos / Longe da sua morada / Na volta trouxe um cavalo / Que não servia pra nada.
Disse o pobre à mulher: / — Como havemos de passar? / O cavalo é magro e velho / Não pode mais trabalhar / Vamos inventar um "quengo" / Pra ver se o querem comprar.
Foi na venda e de lá trouxe / Três moedas de cruzado / Sem dizer nada a ninguém / Para não ser censurado / No fiofó do cavalo / Foi o dinheiro guardado.
Do fiofó do cavalo / Ele fez um mealheiro / Saiu dizendo: — Sou rico! / Inda mais que um fazendeiro, / Porque possuo o cavalo / Que só defeca dinheiro.
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