Antônio Silvino, o Rei dos Cangaceiros
Leandro Gomes de Barros (?–1918)
O começo
O povo me chama grande / E como de fato eu sou / Nunca governo venceu-me / Nunca civil me ganhou / Atrás de minha existência / Não foi um só que cansou.
Já fazem 18 anos / Que não posso descansar / Tenho por profissão o crime / Lucro aquilo que tomar, / O governo às vezes dana-se / Porém que jeito há de dar?!
O governo diz que paga / Ao homem que me der fim, / Porém por todo dinheiro / Quem se atreve a vir a mim? / Não há um só que se atreva / A ganhar dinheiro assim.
Há homens na nossa terra / Mais ligeiros do que gato, / Porém conhece meu rifle / E sabe como eu me bato, / Puxa uma onça da furna, / Mas não me tira do mato.
Telegrafei ao governo / E ele lá recebeu, / Mandei-lhe dizer: doutor, / Cuide lá no que for seu, / A capital lhe pertence / Porém o estado é meu.
O padre José Paulino / Sabe o que ele agora fez? / Prendeu-me dois cangaceiros, / Tinha outro preso fez três, / O governo precisou / Matou tudo de uma vez.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.