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Antônio Silvino, o Rei dos Cangaceiros

Leandro Gomes de Barros (?–1918)

Poesia8 min de leitura7 páginas

O começo

O povo me chama grande / E como de fato eu sou / Nunca governo venceu-me / Nunca civil me ganhou / Atrás de minha existência / Não foi um só que cansou.

Já fazem 18 anos / Que não posso descansar / Tenho por profissão o crime / Lucro aquilo que tomar, / O governo às vezes dana-se / Porém que jeito há de dar?!

O governo diz que paga / Ao homem que me der fim, / Porém por todo dinheiro / Quem se atreve a vir a mim? / Não há um só que se atreva / A ganhar dinheiro assim.

Há homens na nossa terra / Mais ligeiros do que gato, / Porém conhece meu rifle / E sabe como eu me bato, / Puxa uma onça da furna, / Mas não me tira do mato.

Telegrafei ao governo / E ele lá recebeu, / Mandei-lhe dizer: doutor, / Cuide lá no que for seu, / A capital lhe pertence / Porém o estado é meu.

O padre José Paulino / Sabe o que ele agora fez? / Prendeu-me dois cangaceiros, / Tinha outro preso fez três, / O governo precisou / Matou tudo de uma vez.

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