O Imposto de Honra
Leandro Gomes de Barros (?–1918)
O começo
O velho mundo vai mal. / E o governo danado / Cobrando imposto de honra / Sem haver ninguém honrado. / E como se paga imposto / Do que não tem no mercado?
Procurar honra hoje em dia / É escolher sal na areia / Granito de pólvora em brasa / Inocência na cadeia / Agua doce na maré / Escuro na lua cheia.
Agora se querem ver / O cofre público estufado / E ver no Rio de Janeiro / O dinheiro armazenado? / Mande que o governo cobre / Imposto de desonrado.
Porém imposto de honra? / É falar sem ver alguém / Dar remédio a quem morreu / Tirar de onde não tem / Eu sou capaz de jurar / Que esse não rende um vintém.
Com os incêndios da alfândega / Como sempre tem se dado / Dinheiro que sai do cofre / Sem alguém ter o tirado / Mas o empregado é rico / Faz isso e diz: — Sou honrado.
Dizia Venceslau Brás / Com cara bastante feia / Diabo leve a pessoa / Que compra na venda alheia / O resultado daí / É o freguês na cadeia.
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