A Vida de Pedro Cem
Leandro Gomes de Barros (?–1918)
O começo
Vou narrar agora um fato / Que há cinco séculos se deu / De um grande capitalista / Do continente europeu / Fortuna como aquela / Ainda não apareceu
Pedro Cem era o mais rico / Que nasceu em Portugal / Sua fama enchia o mundo / Seu nome andava em geral / Não casou-se com rainha / Por não ter sangue real
Em prédios, dinheiro e bens / Era o mais rico que havia / Nunca deveu a ninguém / Todo mundo lhe devia / Balanço em sua fortuna / Querendo dar não podia
Em cada rua ele tinha / Cem casas para alugar / Tinha cem botes no porto / E cem navios no mar / Cem lanchas e cem barcaças / Tudo isso a navegar
Tinha cem fábricas de vinho / E cem alfaiatarias / Cem depósitos de fazenda / Cem moinhos, cem padarias / E tinha dentro do mar / Cem currais de pescaria
Em cada país do mundo / Possuía cem sobrados / Em cada banco ele tinha / Cem contos depositados / Ocupavam mensalmente / Dezesseis mil empregados
Diz a história onde li / O todo desse passado / Que Pedro Cem nunca deu / Uma esmola a um desgraçado / Não olhava para um pobre / Nem falava com criado
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.