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A Peleja de Leandro Gomes com uma Velha de Sergipe

Leandro Gomes de Barros (?–1918)

Poesia8 min de leitura7 páginas

O começo

Eu ainda estava orelhudo / Com estes versos que faço / Porque nunca achei poeta / Que me fizesse embaraço / Porém uma velha agora / Quase me quebra a cachaça

A velha fez-me subir / Onde nem urubu vai / Andei numa dependura / Já está cai ou não cai / Ainda chamei tio o gato / Tratei cachorro por pai

Quando partiu foi babando / O corpo vinha tremendo / Antes de dar boa noite / De longe me foi dizendo: / "Meu amigo eu venho metê-lo / Entre um quente e dois fervendo"

Eu sei que o senhor é duro / Eu cá sou da mansidão / Porém só pode salvar-se / Se eu lhe der a certidão / Pois o boi na terra alheia / Até as vacas lhe dão

Eu andava nos meus negócios / No estado de Sergipe / Uma noite me hospedei / Em casa de um tal Felipe / Aonde havia uma velha / Da serra do Araripe

Disse-me o dono da casa: / — Eu aqui tenho um colosso / Uma poetisa velha / Que dá em poeta moço / Quem faz verso nesta terra / Está hoje comendo grosso

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