Livros › Almeida Garrett › Solidão (Almeida Garrett)

Capa de Solidão (Almeida Garrett)

Solidão (Almeida Garrett)

Almeida Garrett (?–1854)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Solidão, eu te saúdo! silêncio dos bosques, salve!

A ti venho, ó natureza; abre-me o teu seio.

Venho depor nele o peso aborrecido da existência; venho despir as fadigas da vida.

Quero pensar só comigo; quero falar a sós com meu coração.

Os homens não me deixam; amparai-me vós, solidões amenas, abrigai-me, ó solidões deleitosas.

Franqueia-me, ó soledade, o tesouro das tuas selvas; abre-me o santuário de tuas grutas.

Eu perguntarei aos troncos pelas idades que viram correr; e os troncos me responderão, meneando as suas ramas: — Elas passaram. — Eu contarei aos prados os meus amores; e as boninas abrirão o cálice para me dizer: — Também nós amamos. — Interrogarei os penhascos pelos ecos das vozes dos homens; e os penhascos mudos não ousarão repetir-me os sons falazes dessa voz.

Eu direi às ruínas: — Que é das mãos que vos construíram, que é das raças que vos habitaram? — E as ruínas se calarão; mas a pedra de um sepulcro falará por elas.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Almeida Garrett