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Adeus! (Almeida Garrett)

Almeida Garrett (?–1854)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Adeus!, para sempre adeus!, / Vai-te, oh!, vai-te, que nesta hora / Sinto a justiça dos Céus / Esmagar-me a alma que chora. / Choro porque não te amei, / Choro o amor que me tiveste; / O que eu perco, bem no sei, / Mas tu… tu nada perdeste: / Que este mau coração meu / Nos secretos escaninhos / Tem venenos tão daninhos / Que o seu poder só sei eu.

Oh!, vai… para sempre adeus! / Vai, que há justiça nos Céus. / Sinto gerar na peçonha / Do ulcerado coração / Essa víbora medonha / Que por seu fatal condão / Há-de rasgá-lo ao nascer: / Há-de, sim, serás vingada, / E o meu castigo há-de ser / Ciúme de ver-te amada, / Remorso de te perder.

Vai-te, oh!, vai-te, longe, embora, / Que sou eu capaz agora / De te amar - Ai!, se eu te amasse! / Vê se no árido pragal / Deste peito se ateasse / De amor o incêndio fatal! / Mais negro e feio no Inferno / Não chameja o fogo eterno.

Que sim? Que antes isso? – Ai, triste! / Não sabes o que pediste. / Não te bastou suportar / o cepo-rei; impaciente / Tu ousas a deus tentar / Pedindo-lhe o rei-serpente!

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