Livros › Almeida Garrett › Miragaia (Almeida Garrett)

Capa de Miragaia (Almeida Garrett)

Miragaia (Almeida Garrett)

Almeida Garrett (?–1854)

Poesia15 min de leitura13 páginas

O começo — I

MIRAGAIA I / Noite escura tam formosa, / Linda noite sem luar, / As tuas estrelas de oiro / Quem nas poderá contar!

Como as folhinhas do bosque, / Como as areias do mar… / Em tantas letras se escreve / O que Deus mandou guardar.

Mas guai do homem que se fia / Nessas letras decifrar! / Que a ler no livro de Deus / Nem anjo pode atinar.

Bem ledo está Dom Ramiro / Com sua dama a folgar; / Um perro bruxo judio / Foi causa de ele a roubar:

Disse-lhe que pelos astros / Bem lhe podia afirmar / Que Zahara, a flor da beleza, / Lhe devia de tocar.

E o rei veio de cilada / Dalém do Doiro passar, / E furtou a linda moira, / A irmã de Alboazar.

A Milhor , que é terra sua / E está à beira do mar, / Se acolheu com sua dama, / Nem de mais sabe cuidar.

Chora a triste da rainha, / Não se pode consolar: / Deixá-la por ũa moira / Deixá-la com tal dezar!

E a noite é escura cerrada, / Noite negra sem luar, / Sosinha no seu balcão / Assim se estava a queixar:

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Almeida Garrett