No Lumiar
Almeida Garrett (?–1854)
O começo
Era um dia de Abril; a primavera / Mostrava apenas seu virgineo seio / Entre a folhagem tenra; não vencêra, / De todo, o sol o misterioso inleio / Da névoa rara e fina que extendêra / A manhã sobre as flores; o gorgeio / Das aves inda tímido e infantil … / Era um dia de Abril. / E nós íamos lentos passeando / De vergel em vergel, no descuidado / Socêgo dalma que se está lembrando / Das lutas do passado, / Das vagas incertezas do porvir. / E eu não cansava de admirar, de ouvir, / Porque era grande, um grande homem deveras / Aquelle duque - ali maior ainda, / Alli no seu Lumiar, entre as sinceras / Bellezas desse parque, entre essas flores, / A qual mais bela e de mais longa vinda / Esmaltar…
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