Vinde Cá, Meu Tão Certo Secretário
O começo
Vinde cá, meu tão certo secretário / dos queixumes que sempre ando fazendo, / papel, com que a pena desafogo! / As sem-razões digamos que, vivendo, / me faz o inexorável e contrário / Destino, surdo a lágrimas e a rogo. / Deitemos água pouca em muito fogo; / acenda-se com gritos um tormento / que a todas as memórias seja estranho. / Digamos mal tamanho / a Deus, ao mundo, à gente e, enfim, ao vento, / a quem já muitas vezes o contei, / tanto debalde como o conto agora; / mas, já que para errores fui nascido, / vir este a ser um deles não duvido. / Que, pois já de acertar estou tão fora, / não me culpem também, se nisto errei. / Sequer este refúgio só terei: / falar e errar sem culpa,…
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