
Os Negros
Monteiro Lobato (?–1948)
O começo — I
Viajavamos uma vez pelas regiões desertas por onde o carro triunfal de Sua Magestade o Café passou, puxado pelo Negro, quando as nuvens do céu, rebojudas até ali, entraram a desmanchar-se. Sinal infalível de chuva. Para confirmá-lo um vento brusco, raspante, veio quebrar o mormaço. vascollejando a terra preveni-la do iminente banho meteorico. Remoinhos de poeira sorviam folhas secas, e gravetos, que la torvelinhavam em espirais pelas alturas. Soffreando o animal, parei, a examinar o céu.
— Não há duvida, disse ao meu companheiro, temô-la e boa! O remédio é acoutarmo-nos quanto antes aí nalgum socavão, que água vem, de rachar.
Circumvaguei os olhos em torno. Morraria áspera a perder-se de vista, sem uma casota de palha a acenar-nos com o “corre aqui”.
— E agora? exclamou desnorteado o Jonas, marinheiro de primeira viagem que tudo fiava da minha experiencia.
— Agora é galopar. Atrás deste espigão fica uma fazenda em ruínas, de má nota, mas único oasis possível nesta emergência. Casa do Inferno, chama-lhe o povo.
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