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Correspondência Ativa de Euclides da Cunha em 1892

Euclides da Cunha (?–1909)

Biografia e memórias18 min de leitura16 páginas

O começo — Rio, 7 de junho de 1892

Já nem sei se te lembras do signatário destas linhas; não sei se devo empregar nesta carta o tratamento familiar de uma velha camaradagem ou o V. Ex.ª obrigado das relações friamente corteses. O meu velho amigo, embebido na contemplação de esperançoso morgado, atirou para um canto obscuro da memória os companheiros de dantes. Eu quero porém estimular-lhe a recordação e venho impertinentemente lançar a aspereza do meu nome nas horas febris que o rodeiam. Farei mal? Farei bem? Não sei. Sei que tendo de tomar uma resolução ousada preciso abeirar-me do critério esclarecido de um companheiro sincero e ― egoisticamente pois ― escrevo-lhe.

Antes porém de abordar a questão fundamental desta carta ― peço-te (após dois minutos de reflexão resolvi adotar o tratamento antigo) que transmitas a toda a família as saudações minhas e de Saninha.

Feito isto, entremos na questão.

Soube aqui que se acha em plena organização a Escola de Engenharia daí. Imediatamente lembrei-me de uma aspiração antiga: abandonar uma farda demasiadamente pesada para os meus ombros e passar a vida numa função mais tranquila, mais fecunda e mais nobilitadora. Oferece-se-me este emprego agora. Lembrei-me que forçosamente haverá nessa Escola a cadeira de Astronomia, ciência à qual me tenho aplicado muitíssimo ultimamente, frequentando assiduamente o Observatório Astronômico. À vista disso procurei logo conversar com o Mesquita, Álvaro de Carvalho e outros paulistas que aqui estão e foram todos acordes em que eu devia preferir um lugar de lente aí a persistir numa carreira incompatível com o…

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