Artigo de Euclides da Cunha de 15 de Agosto de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Há dias era o batalhão paulista que aqui saltava, definindo uma ressurreição histórica — a aparição triunfal dos bandeirantes renovando as investidas ousadas no sertão; depois os batalhões do sul, netos e filhos de farrapos , trocando aqueles pampas vastíssimos, alterados, apenas num ou noutro ponto, pelas colinas levemente arredondadas, por um país diverso em que os horizontes se abreviam dentro de vales estreitos e as montanhas aprumadas paralisam as marchas; agora, do extremo Norte, da Amazônia, tostados pelos raios verticais dos sóis do equador, são os filhos do Pará que aqui chegam.
Vêm, sucessivamente, promanando de todos os pontos da nossa terra, convergindo todos para o seio da antiga metrópole, reunindo-se precisamente no solo onde pela primeira vez aparecemos na história — o paulista empreendedor e altivo, o rio-grandense impetuoso e bravo e o filho do Norte robusto e resistente. E a antiga capital abre-lhes o seio, agasalha-os no recinto sagrado de seus baluartes, despertando, transfigurada da quietude anterior, como que envolvendo no mesmo afago carinhoso e ardente, a numerosa prole há séculos erradia, esparsa.
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