Artigo de Euclides da Cunha de 13 de Agosto de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
Baía, 13 de agosto.
Ontem, na cidade Baixa, ao atravessar em passeio uma rua, o general Savaget teve bruscamente tolhida a sua marcha cautelosa de convalescente.
Um cidadão qualquer reconheceu-o e pronunciou-lhe o nome, e, célere como um relâmpago, este nome imortal abrangeu num momento aquela zona comercial da cidade.
Estacaram, de súbito, negociantes que seguiam — passos estugados, azafamados, ruminando cifras, arquitetando transações — caminho dos bancos e da Bolsa; paralisou-se durante alguns minutos a movimentação complicadíssima de um mercado enorme e num dia comum, de trabalho, abriu-se repentinamente, como um parêntesis, vibrante e festivo, um quarto de hora de verdadeira festa nacional.
A linguagem seca dos telegramas transmitiu para aí o fato, mas não o pode definir.
O velho combatente, que reviveu em Cocorobó o heroísmo lendário de Leônidas, teve, talvez, a mais bela consagração da sua glória imperecível.
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