Livros › Euclides da Cunha › Artigo de Euclides da Cunha de 12 de Agosto de 1897

Capa de Artigo de Euclides da Cunha de 12 de Agosto de 1897

Artigo de Euclides da Cunha de 12 de Agosto de 1897

Euclides da Cunha (?–1909)

Biografia e memórias4 min de leitura4 páginas

O começo

Baía, 12 de agosto.

Acabo de assistir na estação da Calçada ao desembarcar de cerca de oitenta feridos que chegam de Canudos e não posso, nestas notas ligeiras, esboçar um quadro indefinível com o qual se harmonisariam admiravelmente o gênio sombrio e o pincel funéreo de Rembrandt.

Ao apontar, vingando a ultima curva da estrada, o lúgubre comboio, a multidão, estacionada na gare, emudece, terminando bruscamente o vosear indistinto, e olhares curiosos convergem para a locomotiva que se aproxima, lentamente, ariando. Esta pára, afinal, e, abertas as portinholas, começam a sair — golpeados, mutilados, baleados — arrastando-se vagarosamente uns, amparados outros e carregados alguns, as grandes vítimas obscuras do dever.

O frêmito de uma emoção extraordinária vibra longamente em todos os peitos, quase todas as frontes empalidecem e é sob um silêncio profundo que a multidão se cinde, espontaneamente, abrindo alas à passagem do heroísmo infeliz.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Euclides da Cunha