Artigo de Euclides da Cunha de 19 de Agosto de 1897
Euclides da Cunha (?–1909)
O começo
O coronel Carlos Teles trouxe de Canudos um jagunço adolescente.
Chama-se Agostinho — quatorze anos, cor exatíssima de bronze; fragilíssimo e ágil, olhos pardos, sem brilho; cabeça chata e fronte deprimida; lábios finos, incolores, entreabertos num leve sorriso perene, deixando perceber os dentes pequeninos e alvos.
Responde com vivacidade e segurança a todas as perguntas.
Descreveu nitidamente as figuras preponderantes que rodeiam o Conselheiro e, tanto quanto o pode perceber a sua inteligência infantil, a vida em Canudos.
O braço direito do rude evangelista — já o sabíamos — é João Abade, mameluco quase negro — impetuoso, bravo e forte — de voz retumbante e imperativa; bem vestido sempre. Comandou os fanáticos no combate de Uauá. É o executor supremo das ordens do chefe. Castiga a palmatoadas na praça, em frente às igrejas, aos que roubam ou vergasta as mulheres que procedem mal. Exerce estranho domínio sobre toda a população
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