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João Pateta (Edição de 1877)

Guerra Junqueiro (?–1923)

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O começo

João era filho de uma pobre viúva, bom rapaz, mas um pouco simplório. A gente da aldeia chamava-lhe por brincadeira João Pateta. Um dia sua mãe mandou-o à feira comprar uma foice. À volta, começou a andar com a foice à roda, de maneira que a foice caiu em cima de uma ovelha, e matou-a.

— Pateta, disse-lhe sua mãe, o que deverias ter feito era pôr a foice em um dos carros de palha ou de feno dalgum dos vizinhos.»

— Perdão, mãe, respondeu humildemente João, para a outra vez serei mais esperto.»

Na semana seguinte mandaram-n'o comprar agulhas, recomendando-lhe que as não perdesse.

— Fique descançada. E voltou todo orgulhoso.»

— Então, João, onde estão as agulhas?»

— Ah! estão em lugar seguro. Quando saí da loja em que as comprei, ia a passar o carro do vizinho carregado de palha; meti lá as agulhas, não podem estar em sítio melhor.»

— De certo, estão em lugar de tal modo seguro, que não há meio de as tornar a ver. Devias tê-las espetado no chapéu.»

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