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Branca de Neve (Edição de 1877)

Guerra Junqueiro (?–1923)

Contos8 min de leitura7 páginas

O começo

Era uma vez uma rainha, que se lastimava por não ter filhos. Um dia dinverno, enquanto bordava num bastidor débano olhando de vez em quando pela janela, para ver cair os flocos de neve no chão, distraída, picou-se num dedo e saiu uma gota de sangue.

— Como eu desejaria ter uma filha, que tivesse uns beiços tão vermelhos como este sangue, uma pele branca como esta neve, e uns cabelos negros como este ébano.»

Algum tempo depois os seus desejos realizaram-se, e deu à luz uma filha, que tinha uma linda boca vermelha, cabelos negros e o corpo tão branco, que lhe chamavam Branca de Neve. Porém esta feliz mãe não gozou muito tempo da sua felicidade. Morreu, e o rei tornou a casar com uma mulher de uma grande beleza, e de um orgulho não menos extraordinário. Era tão formosa que se considerava a mulher mais perfeita do universo. Algumas vezes fechava-se no seu quarto, e colocando-se diante de um espelho magico dizia-lhe:

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