O Fato Novo do Sultão (Edição de 1877)
Guerra Junqueiro (?–1923)
O começo
Era uma vez um sultão, que dispendia em vestuário todo o seu rendimento.
Quando passara revista ao exercito, quando ia aos passeios ou ao teatro, não tinha outro fim senão mostrar os seus fatos novos. Mudava de traje a todos os instantes, e como se diz de um rei: Está no conselho; dizia-se dele: Está-se a vestir. A capital do seu reino era uma cidade muito alegre, graças à quantidade destrangeiros que por ali passavam; mas chegaram lá um dia dois larapios, que, dando-se por tecelões, disseram que sabiam fabricar o estofo mais rico que havia no mundo. Não só eram extraordinariamente belos os desenhos e as cores, mas além disso os vestuarios feitos com esse estofo, possuíam uma qualidade maravilhosa: tornavam-se invisíveis para os idiotas e para todos aqueles que…
— São vestuarios impagaveis, disse consigo o sultão; graças a eles, saberei distinguir os inteligentes dos tolos, e reconhecer a capacidade dos ministros. Preciso desse estofo!»
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