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As Ermidas

Guerra Junqueiro (?–1923)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

Alvas ermidinhas sob azuis maguados, / Vejo-vos de longe numa adoração, / Como ninhos brancos de Ideal pousados / Lá nesses fragosos montes escalvados, / Onde não há água, nem germina o pão.

Serranias ermas, solidões contritas… / Azinheiras como velhos Briareus… / Pedras calcinadas… gados parasitas… / Tristes montes ermos! ermos cenobitas, / Que em burel destevas amortalha Deos!…

Pelas torvas, fundas noites de invernada, / Quando os lobos uivam, quando a neve cai, / Que infinitos sustos numa tal morada, / Para débil virgem tão desamparada / Com um inocente nos seus braços… ai!

Como é que não treme pelo seu menino? / Como é que não chora seu piedoso olhar? / Como é que o seu lábio, fresco e matutino, / Se abre num sorriso, precursor divino / Da estrellinha dalva quando vai raiar?!

Não receia feras quem de rosto ledo / Sofre sete espadas sobre o coração!… / E ao filhinho a noite não lhe causa medo, / Deu-lhe Deos o mundo para seu brinquedo, / Como um fruto doiro tem-no ali na mão!…

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